Família Müller

Resumo da história dos Müller-chegada ao Brasil e curiosidades

Os müller atualmente no mundo

Bibliografia:

Kautzmann; Maria Eunice Müller;1998-Raízes

Müller;Jorge; 2003- Família Müller

http://br.geocities.com/familia_mueller/sobrenomemueller.html

Brasões

Brasões

Atualmente e com alguma freqüência, observa-se a presença de alguns “brasões de Família” relacionados a casas de nobreza européias. Diante do exposto na seção Histórico do ofício de moleiro, entendemos, porque uma parcela destes moleiros, aquela que foi proprietária de seu moinho (produção de alimentos), e por determinadas condições, obteve para si e seus descendentes, condições financeiras privilegiadas. De tal modo, é fácil entender que algumas famílias atingiram este Status de Nobreza. O Brasão apresentando aqui nesta página, é o mais antigo, o primeiro, e foi adquirido junto ao INGERS, Instituto de Genealogia do Rio Grande do Sul.

Curiosidades sobre os Müller

Fritz Müller
Fritz Müller - a prova do evolucionismo no Brasil: imigrante alemão testou pela primeira vez, em Santa Catarina, a teoria de Darwin. Para o naturalista inglês, seu colega era o ''príncipe dos observadores da natureza''
WriteAutor('Anderson Moço');
Charles Darwin sabia que não seria fácil a comunidade científica aceitar sua tese de que uma espécie daria origem a outra distinta. Logo na primeira edição de “A Origem das Espécies”, publicada em 1858, ele solicitou o envolvimento de naturalistas para que estudassem, imparcialmente, os dois lados da questão. Uma questão tão polêmica seria um prato cheio para cientistas ávidos por ter seu nome reconhecido em um importante projeto de pesquisa. Estudos começaram a ser feitos no mundo todo, em uma verdadeira “corrida do ouro”. Mas o resultado que Darwin esperava só foi surgir em 1864, com o trabalho batizado de FürDarwin (Para Darwin, em alemão), do naturalista alemão, radicado no Brasil, Fritz Müller.
O professor da colôniaJohann Friedrich Theodor Müller (1822-1897) era um jovem médico e naturalista alemão que, em 1852, chegava ao Brasil com a esposa e uma filha. A família Müller, como outros milhares de imigrantes, fugia da tensão política que sacudia a Alemanha no século 19 por conta das revoltas contrárias à influência do clero e às arbitrariedades do governo – um ambiente pra lá de hostil para um rapaz genial que não conseguia deixar de dizer o que pensava. Eles tinham sido atraídos ao país pela propaganda feita por Hermann Blumenau, que desejava povoar uma colônia ao lado do rio Itajaí (hoje conhecida pelo sobrenome de seu fundador) e atrair o maior número possível de cientistas – que trabalhariam como professores.
Em Blumenau, Müller ganhou um grande terreno e passou a cuidar das terras como colono, aguardando o convite para lecionar – o que viria a acontecer em 1856, quando assumiu a vaga de professor de matemática no Liceu Provincial de Desterro, atual Florianópolis. Para os habitantes da ilha, seu nome era quase impronunciável e ele ganhou um carinhoso apelido: Fritz Müller.
Pouco tempo depois, em 1861, o Liceu seria fechado e daria lugar ao Colégio da Santíssima Trindade, instituição religiosa que nada tinha a ver com o que Müller acreditava. O naturalista agora teria tempo de percorrer as matas atrás dos espécimes que colecionava, em um ofício que lhe foi caro desde a juventude. Mas os planos do alemão iam além. Nesse mesmo ano, ele recebeu a tradução alemã de A Origem – sendo considerado o primeiro habitante do Brasil a ter contato com a obra – e percebeu que o convite de Darwin para novas pesquisas era uma oportunidade de colocar seu intelecto em prática.
Por meses, Müller realizou pesquisas de campo e experiências com espécies típicas do litoral catarinense. Em um desses trabalhos, encontrou a prova de que parte de uma espécie poderia se diferenciar do restante e ganhar características próprias, transformando-se em uma nova espécie que poderia competir com a outra e se destacar, tornando-se mais apta a sobreviver. O naturalista alemão criou um modelo de pesquisa que visava acompanhar o desenvolvimento embrionário de um microcrustáceo do gênero Tanais. Depois de apanhados no mar, os animaizinhos eram levados à casa do cientista para serem analisados por longos períodos. Ele observou que na época em que alcançavam a maturidade sexual, os machos se pareciam com as fêmeas e depois sofriam modificações. Após um tempo, restavam apenas duas formas de machos – e uma delas predominava sobre a outra. Na briga por alimento e comida, a grande maioria dos sobreviventes apresentava pinças gigantes (usadas para capturar o alimento). Com isso, concluiu que, mesmo sendo da mesma espécie, os animais competiam entre si. Mas apenas um grupo ganhava a briga, levando ao desaparecimento do outro, menos apto a sobreviver. Com essa descoberta, Fritz Müller foi o primeiro cientista a apresentar modelos matemáticos para explicar a seleção natural e fornecer provas contundentes da veracidade da teoria.
Em 1864, ele publicou na Alemanha Für Darwin. Em 91 páginas, explicou os motivos que o levaram a testar a Teoria da Evolução pela Seleção Natural e demonstrou os resultados que comprovavam as ideias do naturalista inglês. No ano seguinte, Charles Darwin recebeu um exemplar da obra e reconheceu o trabalho, elogiando Fritz Müller pelo serviço prestado à teoria. Darwin pediu autorização para traduzir o livro para o inglês e, em 1869, o lançou na Inglaterra com o nome Fotos e Argumentos a Favor de Darwin. Nos anos seguintes, Darwin e Müller trocaram quase 40 cartas, nas quais o inglês fazia perguntas e convidava o alemão a participar dos estudos. Nas edições posteriores de A Origem das Espécies, Müller foi citado mais de dezessete vezes e recebeu o carinhoso apelido de “príncipe dos observadores da natureza”.


Resumo da viagem dos Müller da Alemanha ao Brasil

- Navio transatlântico, Galera Holandesa, veleiro, no 17, “Company Patie”.
- Capitão: Francisco Stavers
- Comandante: Coronel Carlos Heine
- Fretamento: por Carlos Heine de Buenos Aires
- Partida: Amsterdam 10.10.1825.
- Chegada ao Rio de Janeiro: 17.5.1826
- Passageiros: soldados e colonos + ou – 280 pessoas, 200 para Argentina e 81 para o Rio Grande do Sul
- Tempo: 7 meses e 10 dias
Do Rio de Janeiro a São Leopoldo: “Nova sociedade” (2ª viagem) a 1º de junho de 1826, com destino a Porto Alegre, no 13.
Do Rio de Janeiro a São Leopoldo: ( 1.6.1826 a 24.6.1826)
Chegada de José Müller e família a torres.

Os Müller no Brasil

A relação acima dá uma idéia dos embarcados na “Nova sociedade”, que se destinavam a São Leopoldo e, posteriormente, a Torres, saindo do Rio de Janeiro, em 1º de junho de 1826.
Assim, a família de José Müller, originalmente de 3 pessoas, sofreu um aumento nos registros de Hillebrand pelo nascimento de uma filha, pouco antes da chegada a São Leopoldo.
A família José Müller ficou em São Leopoldo, somente até setembro de 1826 quando, justamente com outras famílias, foi levada a Porto Alegre para integrar a grande caravana de 422 pessoas levadas pelo Tte. Cel. Francisco de Paula Soares para a nova colônia Alemã de Torres.

24.9.1826- Chegada a Porto Alegre do 1º grupo (saído de São Leopoldo).
28.9.1826- Chegada a Porto Alegre do 2º grupo (saído de São Leopoldo).
28.9 a 31.10.1826- Demora em Porto Alegre.
1.10.1826- Partida de Porto Alegre dos dois grupos,em 3 iates, via rio Guaíba, Itapoã e lagoa dos patos até o rio Capivari.
3.11.1826- Chegada a embocadura do rio Capivari.
4.11.1826- Descarga dos 5 iates no rio.
5.11.1826- Continuação do transporte, por terra, em carretas de bois, tendo que permanecer no lugar, algumas famílias por falta de quatro carretas, não chegadas.
7.11.1826- Chegada ao passo do Tramandaí , depois de passar por Quilombo.
13.11.1826- Atravessando o passo só em 5-6 dias por falta de canoa e de remerios continua a viagem pela praia.
17.11.1826- Chegada a Torres (421 pessoas: 184 católicos e 237 protestantes)
Obs: Uma parte foi para Três Forquilhas (protestantes) e outra permaneceu em Torres (católicos).

A Família de José Müller teve o registro: nº 139
A viagem que teve muitos tropeços levou 1 mês e 19 dias, desde São Leopoldo até Torres, somando colonos alemães num total aproximado de mais de 420 pessoas que ocuparam terras, em Três Forquilhas e Torres.
A família de José Müller não ficou muito tempo em Torres, evadiram-se por motivos de abandono a que estavam sujeitos.
Alguns imigrantes, desesperados pela fome até alteravam os nomes, conforme situações difíceis encontradas, no fato da colonização que tinha regras a seguir, negando-lhes manutenção e material ao trabalho. Por este motivo evadiram-se.

José Müller e Maria Müller
Pais de 10 filhos
1-Cristiano;2-Jacó;3-José;4-Elisabeth;5-João;6-Maria;7-Rosina;8-João Pedro;9-Antônio;10-Henrique.

José Müller filho (3º filho) e Elisabeth Breitenbach
José e Elisabeth pais de 4 filhos
1- Ana Maria Magdalena Müller;2- Elisabeth Müller;3-João Müller; e por fim 4- Leopoldo, n. 27.1.1893, Morro Pelado, São Leopoldo

Esclarecimentos:
Do casamento de José Müller nasceu José Müller Filho.
Do casamento de José Müller Filho nasceu Leopoldo Müller.
Do casamento de Leopoldo Müller nasceu Armindo Müller.
Do casamento de Armindo Müller nasceu Alberto Müller.
E, por fim, do casamento de Alberto Müller nasceu Gabriel Tweedie Müller.

Müller

O moleiro (Der Müller), o sobrenome é originado da profissão, do ofício. O moleiro significa dono do moinho, ou aquele que trabalha em moagem. O moleiro é aquele que produz a farinha ou descasca trigo, milho, aveia, cevada, sêmola, arroz, produzindo grãos selecionados para o preparo de doces e para a fermentação da cerveja (grütze). Na idade média, em cada vila existia ao menos um Moinho (Mühle). Conseqüentemente, ele, o Müller, é conhecido por toda a Alemanha.

Moinho
Moinho, do Latim Molinu, e Mühle, do antigo Alto-Alemão; O Moinho é o engenho (maquinário) para moer os cereais; É a máquina para triturar determinadas substâncias, como p. ex. para moer café.

Variações do Sobrenome Müller
Müller = originário do Alto-Alemão falado no oeste (área de Augsburgo) na Suábia. No baixo-Alemão, as formas Moeller, Möller, como originalmente também Müllner (forma freqüente em Viena),(Holandês: Molenaer, inglês: Miller, italiano: Molinari); do Latin Central Central: Molinarius; do antigo Alto Alemão: Mulinari, do Alto Alemão médio; Mulnaere, do alemão médio do Oeste e a forma Muellner , do antigo Alto Alemão; mulinari do Alto Alemão médio; Mulnaere variação do Latin Central, bem como as formas Molendinarius, Moeldener, Mueldner, Mildener; molinarius;
O Nome Muellner aparece na lista de comércio de Marburger, em 1691: STIELER "O Muellner". Documentos mais antigos ainda são os formulários sem n. de Nicolaus Hogenmolner, datados do ano de 1377, em Greifswald. Uma das mais antigas referências a este nome,é o cavaleiro Conrad v Husen, chamado de “O Mueller”, isto aproximadamente, em torno de 1282, na Suábia, sendo que este nobre, possuía um moinho.
Existem numerosas composições para determinar o lugar ou o tipo do moinho, mais especificamente. P.ex.: Obermüller, Riedmüller, Windmüller, Stegmüller, Teichmüller, Bachmüller, Holzmüller.

Freqüência
A freqüência do sobrenome deve-se aos numerosos moinhos urbanos e nas vilas existentes na idade média. O Sobrenome Müller é o mais freqüente na língua alemã. São mais de 320.000 pessoas possuindo este nome e suas várias grafias, conforme levantamento realizado em 1996, na Alemanha. Além disto, existem ainda aproximadamente 40.000, relativo as composições deste sobrenome.

Breve histórico do ofício de moleiro (Müller) na Alemanha
O sistema de movimentação dos moinhos, em períodos remotos, era principalmente aquele, no qual se utilizava a força da água para a movimentação do engenho (wassermuehlen). Com o passar do tempo, os moinhos de vento (windmuehlen) foram aparecendo e sendo diferenciados, por se situarem nas terras planas. Estes moinhos apareceram na Alemanha Central somente no século 18.
Nos moinhos destinados à produção de alimentos, tornou-se importante a figura do moleiro, aquele que produzia a farinha, o alimento. Alguns moinhos foram se tornando impróprios para esta finalidade (mais freqüentemente, os wassermuehlen), e transformaram-se, tendo com o tempo, a sua utilização voltada ao tratamento de outros materiais, p.ex. os moinhos de papel, entre outros.
O Moleiro, aquele por tradição familiar, hereditário, (Erbmüller), firmou-se como o proprietário de moinho destinado à produção de alimentos (Mahlmüller). O seu trabalho, era típico, exigia aprendizado com tempo e era de característica artesanal. Estes moleiros foram freqüentemente, homens afortunados, já no século 17. Nesta época, os moinhos passavam, quase que exclusivamente, de pai para filho, sendo que a propriedade permanecia em uma mesma família por diversas gerações. Estas famílias atingiram então, posição de destaque na sociedade, alguns mesmo, a nobreza.
Quando em uma mesma vila, existiam diversos moinhos, os seus proprietários eram designados por outras características, p. ex: O maior moleiro (Obermüller), o moleiro dos grãos (Kornmüller) e ainda, moleiro de pedra, para uma família que havia possuído um moinho de pedra por várias gerações (Steinmüller), moleiro do lago (Teichmüller).
Houve os moleiros que alugavam moinhos para trabalhar, junto aos seus respectivos proprietários, eram eles os “moleiros de aluguel” (Pachtmüller), porém estes não tiveram, em sua maioria, posição de destaque social. Interessante observar que estes aluguéis eram feitos por período determinado de tempo, (somente por poucos anos), e que renovar ou ainda pretender alugar um moinho, exigia uma grande soma de recursos. Estava favorecido assim, sempre o interessado que possuísse mais recursos para pagar um valor, que sempre era mais elevado. Obter uma quantia suficientemente grande, a fim transformar-se em dono de um moinho, era um objetivo e uma tarefa muito árdua. Na Saxônia, entre os séculos 16 e 18, 2/3 dos membros de famílias de sobrenome Müller, eram descendentes de “Moleiros de aluguel”, sendo que o restante, eram filhos de fazendeiros e artesãos.

Ao moleiro de aluguel, restava ainda a opção de tentar comprar um moinho, através de seus recursos ou de através de vantagens obtidas no seu casamento (Dowry) mas, esta opção era demorada, e estendia-se por muitos anos, sendo que tal aquisição foi privilégio de poucos. Quanto a seus descendentes, a maior parte deles, já estava exercendo outros ofícios, e se afastavam para outras locais. Assim, encontramos primos, originados de uma mesma família, localizados em uma mesma região, morando em vilas diferentes e próximas, e tendo ofícios diferentes do originário. Como conseqüência desta particularidade, a genealogia das famílias descendentes dos “Moleiros de aluguel”, tem uma característica, a pesquisa fica mais simples pela demarcação social e territorial (familienweise Verkartung). Nos livros de registros nas Igrejas, a pesquisa deve se estender a uma região, e não apenas uma única localidade (pois em relação aos “moleiros hereditários”, além dos registros de Igreja, outros documentos locais podem ser fontes de pesquisa). Um auxílio precioso nestas pesquisas genealógicas, são os registros dos avós, pois não é incomum a falta do sobrenome da esposa nos registros de batismo. Nos registros dos avós, poderá ser encontrado o sobrenome materno e ainda poderemos determinar um período para a presença de uma determinada família em uma região demarcada, mesmo que em diferentes vilas. Uma amostra aleatória de Volkmar Weiss [1], estudando famílias de moleiros, obteve o seguinte resultado: dos filhos de Moleiros, 47% casaram-se no lugar de residência, 32% casaram a uma distância de 15 quilômetros, 15% casaram em uma distância de 40 quilômetros, e 6% acima de 40 quilômetros.
Lembramos ainda, que nas montanhas, existiram os "moleiros de corte" (Schneidmüller, ou ainda Brettmüller, Holzmüller ou Brettschneider). O moinho (wassermühle) era utilizado com a finalidade do corte da madeira. Tipicamente para muitos destes, chamar de moleiros (Müller) e carpinteiros (Zimmermann) era frequente, pois tinham suas atividades relacionadas ao trabalho de carpinteiros e artesãos. Estes moinhos de serrar (Sägemühle) eram utilizados pelos fazendeiros somente como uma renda suplementar no período do inverno, sendo que a situação econômica modesta destes pequenos moleiros das montanhas, não era comparável aquela dos afortunados proprietários de moinhos de alimentos, nem dos moleiros hereditários, das terras planas.
Os grandes moinhos eram comparáveis a grandes extensões de terras arrendadas, destinadas a agricultura, e era considerado quase como um símbolo de relativa prosperidade rural. Na maioria de casos, administrada como uma empresa. O “moleiro hereditário”, aqui considerado como trabalhador artesanal e de atividade característica, somente adquiria o seu conhecimento após um treinamento que praticava durante muitos anos, parte aprendido em moinhos estranhos, situados geralmente desde um local mais próximo ou distante até 50 quilômetros, e parte do conhecimento, no moinho paterno. Este aprendizado em outros moinhos, era muito importante, pois fora questões técnicas relativas ao ofício, ali ele aprendia a arte de administrar. O filho de moleiro que não obteve nenhuma projeção no moinho paterno, ou ainda em um outro moinho comprado pelo pai, acabou tendo de seguir um outro ofício, tal qual os “moleiros de aluguel”.